Espaço Educativo da exposição ‘Um rio não existe sozinho’, de Estúdio Flume
Em Belém do Pará, um pavilhão no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi abriga atividades educacionais organizadas pelo Instituto Tomie Ohtake.
Espaço Educativo da exposição ‘Um rio não existe sozinho’, de Estúdio Flume. Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi em Belém do Pará, Brasil.
ARQUITETURA Estúdio Flume — Noelia Monteiro & Christian Teshirogi
ORGANIZAÇÃO Instituto Tomie Ohtake, com curadoria de Sabrina Fontenele & Vânia LealEste ensaio é resultado dos novos processos que tenho incorporado à minha prática fotográfica, até então testados esporadicamente ao longo dos últimos anos. Apresento três conjuntos de imagens: fotografias analógicas preto-e-branco dispersas e exploratórias, utilizadas como ferramenta de investigação do objeto-espaço; um ensaio fotográfico consolidado, convencional na forma como atende às demandas de representação e apresentação de um projeto de arquitetura; e um curta-metragem, concebido como forma de expandir o tempo e abarcar os sons de um parque zoobotânico no centro de Belém. Este vídeo remete aos meus primeiros estudos, realizados no final dos anos 2000.
Visualmente, os três conjuntos não são distantes entre si — amarram-se um ao outro, as vezes em repetição e mimese. Uma imagem continua na sua análoga, e assim por diante. Provavelmente serão exibidos de forma isolada em diferentes contextos, mas aqui posso agrupá-los (aproveitando as virtudes do formato desta newsletter).
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Descrição do projeto, fornecida pelos autores:
O pavilhão educativo integra a exposição Um rio não existe sozinho, projeto do Instituto Tomie Ohtake, com curadoria de Sabrina Fontenele e Vânia Leal, criado para dialogar com os temas urgentes trazidos pela 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30). A proposta reafirma a vocação do Estúdio Flume em compreender a arquitetura como ferramenta de impacto social e ambiental. A estrutura propõe um gesto de leveza e integração com a paisagem do Parque Zoobotânico, traduzindo princípios de sustentabilidade e escuta territorial em uma experiência arquitetônica e pedagógica.
Com cerca de 70 m² de área, o pavilhão é formado por módulos independentes e adaptáveis que se articulam em diferentes composições, criando áreas cobertas e descobertas destinadas a atividades educativas e de convivência. A modularidade garante flexibilidade, montagem simplificada e baixo impacto ambiental, permitindo futuras expansões ou reconfigurações conforme a dinâmica de uso
Entre seus destaques estão o uso de técnicas e materiais locais, como madeira certificada e palha de ubuçu, que asseguram conforto térmico e integração visual com o entorno. A estrutura em madeira laminada colada foi dimensionada para otimizar recursos e reduzir deslocamentos, com pilares, vigas e terças leves e precisos. A cobertura permeável favorece a ventilação natural e o diálogo entre interior e exterior, explorando zonas de transição que ampliam a convivência e a sensação de pertencimento.
Mais do que um abrigo, o pavilhão foi concebido como um espaço de encontro entre visitantes, educadores e comunidade. Durante a exposição, abrigará a programação educativa e atividades colaborativas, mas também se propõe como protótipo de arquitetura sustentável para contextos amazônicos — estruturas simples, replicáveis e de baixo impacto, voltadas a lugares onde o acesso é difícil e cada gesto construtivo precisa ter sentido.In English
This essay is the result of new processes I have been incorporating into my photographic practice, which until now had been tested only sporadically over the past few years. I present three sets of images: scattered and exploratory analog photographs, used as a tool for investigating the object-space; a consolidated photographic essay, conventional in the way it meets the demands of representation and presentation of an architectural project; and a short film, conceived as a way to expand time and encompass the sounds of a zoobotanical park in the center of Belém. This video recalls my early studies, carried out in the late 2000s.
Visually, the three sets are not far apart — they intertwine with one another, at times through repetition and mimesis. One image continues into its analog counterpart, and so on. They will probably be shown separately in different contexts, but here I can group them together (taking advantage of the strengths of this newsletter).
Project description, provided by the authors:
The educational pavilion is part of the exhibition A River Does Not Exist Alone, a project by Instituto Tomie Ohtake, curated by Sabrina Fontenele and Vânia Leal, created to engage with the urgent themes brought forth by the 30th United Nations Climate Change Conference (COP 30). The proposal reaffirms Estúdio Flume’s commitment to understanding architecture as a tool for social and environmental impact. The structure proposes a gesture of lightness and integration with the landscape of the Zoobotanical Park, translating principles of sustainability and territorial listening into an architectural and pedagogical experience.
Covering approximately 70 m², the pavilion is composed of independent and adaptable modules that can be arranged in different configurations, creating covered and open areas designed for educational and communal activities. The modularity ensures flexibility, simplified assembly, and low environmental impact, allowing for future expansions or reconfigurations according to patterns of use.
Among its highlights are the use of local techniques and materials, such as certified wood and ubuçu palm thatch, which ensure thermal comfort and visual harmony with the surroundings. The glued laminated timber structure was designed to optimize resources and minimize transport, with light and precise columns, beams, and purlins. The permeable roof promotes natural ventilation and dialogue between interior and exterior, exploring transitional zones that enhance social interaction and a sense of belonging.
More than a shelter, the pavilion was conceived as a space for encounters among visitors, educators, and the community. During the exhibition, it will host educational programming and collaborative activities, while also serving as a prototype of sustainable architecture for Amazonian contexts — simple, replicable, and low-impact structures designed for places where access is difficult and every constructive gesture must be meaningful.





















