Aparecida's house, by Estúdio Síntese
This is one of those photo essays that deserves a bit of context—not because the images rely on explanation, but out of a simple desire to tell a good story.
Before this house existed as it appears in the photographs, there was a dilemma common to many families in São Paulo: whether to sell the old property and move to another neighborhood, or stay at the same address on a quiet, heavily tree-lined street. For Aparecida, staying meant preserving the rhythm of the neighborhood and, above all, keeping the house as the center of gravity for her large family. Some of her children live with her; others visit often, bringing relatives, grandchildren, and friends.
The decision to stay brought with it a network of family and professional partnerships. It was Aparecida’s own son, Marco, who took charge of the engineering and construction. Earlier in his career, he had worked alongside the architecture firm Terra e Tuma on the construction of the Tico buildings—and it was precisely through this connection that Terra e Tuma recommended Estúdio Síntese, led by Carina Costa and Ricardson Ricardo, to design the project.
In the design of the new house, the architectural concept responds directly to the desire for togetherness and the site’s buildable area constraints. The four bedrooms, the bathrooms, and two small courtyards are arranged within a semi-sunken longitudinal volume, ensuring privacy for the intimate sector. Positioned transversely to it is the kitchen volume, which acts as the residence’s articulating core, connecting via staircases to both the bedrooms below and the living room above.
The outdoor areas unfold across different levels and functions: there is a front garden, a barbecue patio directly connected to the kitchen for days of celebration, and two other terraces set atop the roof of the longitudinal volume. Beyond multiplying the outdoor living spaces, these voids and setbacks ensure cross-ventilation and abundant natural light for every room. To meet the schedule with agility and precision, an exposed concrete block construction system was chosen—a decision that allowed for a faster build while defining the honest materiality of the ensemble.
The photo essay traces these connections between levels, gardens, and concrete slabs. As a living part of this story, Aparecida herself and the architects appear discreetly in some of the photographs, inhabiting the scenes and lending scale to an architecture designed for gathering.























Em português
Este é um daqueles ensaios que merecem um pouco de contexto — não porque as imagens dependam de explicação, mas pela simples vontade de contar uma boa história.
Antes de esta casa existir como aparece nas fotografias, havia uma dúvida comum a muitas famílias paulistanas: vender o imóvel antigo e mudar para outro bairro ou permanecer no mesmo endereço, em uma rua tranquila e já amplamente arborizada. Para a Aparecida, ficar significava preservar a rotina da vizinhança e, acima de tudo, manter a casa como ponto de gravidade para sua grande família. Alguns filhos moram com ela; outros vêm com frequência trazendo parentes, netos e amigos.
A decisão de permanecer trouxe consigo uma rede de parcerias profissionais e familiares. Quem assumiu a engenharia e a execução da obra foi o próprio filho da Aparecida, o Marco. Em sua trajetória, ele havia trabalhado com o escritório Terra e Tuma na construção dos edifícios da Tico — e foi justamente a partir dessa relação que o Terra e Tuma indicou o Estúdio Síntese, de Carina Costa e Ricardson Ricardo, para assinar o projeto.
No desenho da nova casa, o partido arquitetônico responde diretamente ao desejo de convivência e às restrições de área edificável do lote. Os quatro quartos, os banheiros e dois pequenos pátios estão dispostos em um volume longitudinal, semienterrado, que garante privacidade ao setor íntimo. Transversal a ele, posiciona-se o volume da cozinha, que funciona como o núcleo articulador da residência, conectando-se por escadas tanto aos dormitórios quanto à sala de estar.
As áreas abertas se desdobram em diferentes níveis e funções: há um jardim na frente, um pátio com churrasqueira diretamente ligado à cozinha para os dias de comemoração, e outros dois terraços posicionados sobre a cobertura do volume longitudinal. Além de multiplicarem os espaços de estar ao ar livre, esses vazios e recuos asseguram ventilação cruzada e iluminação natural abundante para todos os ambientes. Para dar conta do cronograma com agilidade e precisão, optou-se pelo sistema construtivo em blocos aparentes — escolha que permitiu uma obra mais rápida ao mesmo tempo em que definiu a materialidade franca do conjunto.
O ensaio percorre essas conexões entre níveis, jardins e lajes. Como parte viva dessa história, a própria Aparecida e os arquitetos aparecem discretamente em algumas fotografias, habitando as cenas e dando escala a uma arquitetura pensada para o encontro.
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